

Entrevista com Manuel Eduardo Pinheiro Campos
“Eu nasci na Guaiúba no dia 11 de janeiro de 1923. Me considero pacatubano, porque a Guaiúba era um distrito de Pacatuba”.
Com a simplicidade de quem senta em cadeira nas calçadas das ruas de Pacatuba para conversas de fim de tarde, o imortal Manuelito Eduardo, o Manuel Eduardo Pinheiro Campos, narra para o Jornal de Pacatuba a sua história de vida. História que se confunde com os feitos literários e jornalísticos do Ceará no século que passou. Conforme ele, os antepassados vieram do Riacho do Sangue, hoje Solonópole. “Sendo Pinheiro, portanto, uma tradição muito boa”. O pai, Jonas Accioly Pinheiro, se apaixonou por sua mãe, que se chamava Maria Dolores Eduardo Pinheiro. Ela era de Pacatuba e ele se estabeleceu na cidade. E ficou uma tradição Accioly Pinheiro muito grande na Guaiúba, tanto que hoje muitas ruas carregam o nome dos seus antepassados. Manuelito Eduardo é o que podemos chamar de testemunha ocular dos principais fatos intelectuais, históricos e políticos da nossa contemporaneidade.
Ligado às letras desde cedo por puro atavismo, o jovem galante de fronte altiva e avantajada compleição física abraçou com vigor e entusiasmo a carreira de comunicador, escritor num tempo em que a mídia, ainda não sofisticada, revelava talentos para além fronteiras e a literatura aproximava figuras de expressão nacional, quedados ante o talento de nossa “pena”, reconhecida pelos feitos de José de Alencar, o pai do romance brasileiro.
Devorador dos clássicos, Manuelito logo se destacou na carreira literária, diversificando atuação já que poeta, romancista, ensaísta, historiador e dramaturgo. Destacou-se em outras messes, posto que virara confidente e íntimo de ícones da literatura brasileira como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Marques Rebelo, entre outros, dada a grandeza do grupo literário Clã, sucedâneo em termos de importância da Padaria Espiritual. Na comunicação, conduziu com maestria importantes veículos de mídia como Ceará Rádio Clube, Rádio Verdes Mares, Correio do Ceará, Unitário e a TV Ceará Canal 2.
Veio de multifacetada atuação intelectual, destacou-se também como educador, aproximação com o “imperador” da imprensa brasileira, Assis Chateaubriand, que por muitos anos do século passado esteve acima dos governos, da elite nacional, ou até do bem e do mal. Sua verve fecunda atinge marca olímpica de 71 obras, que para orgulho dele só é inferior a alcançada por outro cearense ilustre, Gustavo Barroso. Eduardo Campos presidiu por dez anos a Academia Cearense de Letras e cunhou insígnia temporal no Ceará, quiçá no Brasil, com a peça Morro do Ouro, representada 350 vezes. A seguir entrevista concedida por Manuelito Eduardo ao Jornal de Pacatuba:
Jornal de Pacatuba – E a história da família no município?
Eduardo Campos – Eu fui dado aos meus pais adotivos aos quatro meses, porque nesta idade perdi meus pais biológicos, que eram João Pereira Campos e Isabel Eduardo Campos. Eles me criaram e eu vivi na Pacatuba até os sete anos de idade. Meu pai adotivo era comerciante, tinha uma loja no mercado central, aquele mercado antigo. E que era o ponto comercial principal da cidade, onde faziam as feiras. Não existiam lá bancos, instituições, essa coisa ficou muito modificada. Mas eu conheci ainda moço, voltando lá, na idade de 14 anos ou 15 anos, brincando e tomando banho na Bica do André, e não era das Andréas, porque esse nome não existia. O proprietário chamava-se André, portanto Bica do André. É um negócio bonito, mas mudaram o nome sem nenhum respeito às tradições.
JP – Quais as suas lembranças da cidade naquele tempo?
EC – Nessa época, o mercado público era realmente um centro de atração. A parte comercial mesmo só se desenvolvia ali. Não havia lojas separadas em outros locais da cidade. No máximo uma ou outra loja nas vizinhanças. Tinha o cartório do Isaac Campos na esquina, tinha a padaria do Figueiredo em localização oblíqua com a avenidinha. E tinha aqueles sobrados tradicionais, inclusive o sobrado que nos pertence ainda hoje, o que foi da família Justa. Ficaram hospedadas neste sobrado as pessoas mais ilustres que visitaram Pacatuba, que era uma cidade muito visitada. Recebeu visita da comissão exploradora nacional, que veio na metade do século XVIII e, em 1865/66 do casal chamado Agassiz. Elizabete Agassiz era o nome da esposa do cidadão, que estou esquecendo o nome dele. Eles publicaram um livro chamado “Viagem ao Brasil”, e nesse livro tem o primeiro relato que eu encontrei, muito bom, sobre Pacatuba.
JP – O que há no livro sobre Pacatuba?
EC – Há passagem sobre o sítio, histórico, que hoje nos pertence, o sítio Boa Vista. O local foi realmente a sementeira que deu origem a toda a criação da comunidade pacatubana. Esse sítio pertenceu aos pais do Juvenal Galeno, que eram ricos. Tem ainda hoje um resto de sobrado, não é bem um sobrado não, era uma casa. E essa casa, que era muito bonita, foi descrita pelo escritor Manoel Freire Alemão, que esteve em 1856 ou 1858 em Pacatuba. E ele escreveu que – eu sempre conto esse fato porque ele merece ser repetido – havia o bom gosto da família Juvenal Galeno, e nessa casa em cima da serra, além de lustres de cristal, tinha um piano na sala. E ele descreve tudo isso realmente com muita beleza. Inclusive o Manoel Freire Alemão conheceu o Juvenal Galeno, que estava fazendo uma visita aos pais.
JP – Como o livro se refere aos pais do escritor Juvenal Galeno?
EC – Os pais de Juvenal Galeno moravam efetivamente em cima da serra. Eles mantinham escravos na parte de baixo da casa. Esse sítio, historicamente, foi visitado inclusive pelo casal Agassiz. As anotações que eu estou lhe dizendo da visita do escritor Manoel Freire Alemão estão no livro publicado pela Biblioteca Nacional, chamado “Manuscritos de Freire Alemão”. Essa é a coordenada que eu dou. E essas outras informações sobre a Pacatuba são as mais recuadas que eu conheço, são informações prestadas num livro publicado pela brasiliana Viagem ao Brasil, de Elizabeth e Luiz Agassiz. É um livro muito interessante, e a Pacatuba merecia ver isso. Em determinado momento, alguém da Pacatuba me pediu isso e eu procurei tirar cópias. Eu tenho a impressão que na Pacatuba não vai ser difícil encontrar isto em arquivos. Eu mandei por uma questão de colaboração, a cidade se queixava que tinha pouca história. Inclusive naquele sobrado que nos pertence, em frente à avenidinha, lá no dia 2 de fevereiro de 1888, quando foram libertados os escravos e eu mandei fazer uma placa dizendo “Neste sobrado foram libertados os escravos em 2 de fevereiro 1888”.
JP – A cidade tem, portanto, relevância no contexto histórico do estado...
EC – Pacatuba tem uma ressonância, uma importância histórica, muito pelo seguinte: naquela época as pessoas ricas de certo gosto literário, visitavam muito Pacatuba. Inclusive Rodolfo Teófilo, ele era aparentado, tinha ligações com o pessoal da Pacatuba, a qual visitava muito. Mesmo porque ele morava no meio do caminho, na Pajuçara, antes de Maracanaú, então ele ia de animal. É muito interessante contar que naquele tempo o casal Agassiz levou uma semana para sair de Fortaleza e chegar a Pacatuba. Naturalmente não só pelas dificuldades de locomoção, mas também porque eles foram se divertindo. Imagine só: eles saíram de Fortaleza e dormiram em Parangaba. Para você ter uma idéia da distância. Quando chegaram a Monguba, também ficaram hospedados lá. Demoraram porque estava chovendo, e na Monguba tinha um pessoal rico, que ofereceu uma recepção muito boa. E lá ele conta que fizeram várias brincadeiras de salão. Eles tiveram inclusive hospedados no nosso sobrado, que era do Antônio Justa. O Antônio Justa era um homem de letras e também de prestígio. Ele hospedou nessa época o Freire Alemão, o casal Agassiz e todas as pessoas importantes.
JP – Como começou o pendor artístico na família do senhor?
EC – O meu avô paterno, o Joaquim Eduardo Espíndola, era um homem de letras. Diz o Arthur Eduardo Benevides – meu primo, e eu estou passando ao pai da história a responsabilidade, pois não vi nada escrito sobre isso – que esse nosso avô é comum. Então ele era filho de uma tia minha, o Arthur Eduardo Benevides. E ele disse que ele lia em francês e alemão. A nossa família em Pacatuba, a família Eduardo, era uma família muito prendada artisticamente. Eles tinham praticamente uma orquestra, uma tocava flauta, outra tocava violino, outra tocava piano. Então era uma família que se reunia e tocava uma orquestra. Isso até procede, porque onde eu fui me inspirar? O meu pai era um homem de poucas letras, o meu pai legítimo. Mas essa tendência da família Eduardo, que era uma família de letras, onde desse tronco, da filiação, do Joaquim Eduardo e da Isabel Eduardo e a minha mãe que me criou que tem o nome dela, da minha avó, então esse pessoal todo era um pessoal letrado, um pessoal de música e que sabia conversar.
JP – Muitos se destacaram?
EC – Na família nós tivemos várias pessoas que se projetaram na vida. Por exemplo, Dom Expedito Eduardo de Oliveira, filho de uma tia minha, ele se ordenou no Seminário da Prainha e foi bispo auxiliar de Fortaleza e depois acabou bispo de Patos, na Paraíba, onde morreu. Outras pessoas de nome, o Arthur Eduardo Benevides, que é presidente da Academia [Cearense de Letras - ACL], letrado. Outra coisa, o Dom Expedito não era só um padre de formação teológica aprimorada que chegou a ser bispo. Ele escrevia, inclusive peças de teatro. Era integralista e escreveu uma peça de teatro que eu assisti montada no Centro Artístico Cearense, chamada “Deus, Padre e Família”. O Benevides também uma pessoa intelectual, com livros publicados, um grande poeta cearense. Temos também o irmão dele, o Carlos Eduardo Benevides, o Carlito, que foi farmacêutico, tinha farmácia, foi deputado. O Mauro Benevides, que é filho do Carlito, meu primo de segundo grau. Houve toda essa formação dos irmãos que eram preparados. O meu irmão Airton era formado em Agronomia, professor de Zootecnia em Manaus. O Milton Pinheiro teve uma projeção muito grande, ocupou duas ou três secretarias do governo do Adauto Bezerra e foi chefe de gabinete da Sudene, no tempo que o Adauto Bezerra foi Superintendente da Sudene.
JP – Pacatuba também revelou nomes do rádio, não é?
EC – A Pacatuba em si, juntando a Guaiúba que nesse tempo era Pacatuba. Quase todos os locutores daquele tempo vieram de lá. Dos profissionais da Pacatuba, nascidos no distrito que era Guaiúba, nós temos o Paulo Cabral de Araújo; o José Cabral de Araújo, irmão dele; a Luzanira Cabral, que foi a primeira locutora; o João Ramos, que nasceu na Guaiúba, o pai dele era agente ferroviário, o pai dele veio do Crato e a mãe veio grávida e ele nasceu na Pacatuba. Ele foi um ícone e ainda é um ícone. Morreu, mas deixou um passado glorioso. E eu ia esquecendo, o Manuelito Eduardo, veja só, você falando de comunicação e veja quantas pessoas saíram de Pacatuba como um todo.
JP – Como o senhor entrou no rádio?
EC – Quando eu entrei em rádio, o diretor da Ceará Rádio Clube era o Paulo Cabral de Araújo. Eu entrei na Ceará Rádio Clube no dia 4 de setembro de 1944. Isso faz 63 anos, eu devia ter mais ou menos 21 anos. Então eu entrei e fiz a minha carreira, e o Paulo Cabral saiu, porque foi escolhido para ser candidato a prefeito de Fortaleza, e ganhou, se não me engano era candidato da UDN.
JP – O senhor acha que essa foi a fase áurea do rádio cearense?
EC – Pelo menos foi o início, porque eu acho que os anos dourados do rádio no Ceará são os anos que vão até 1950. Tempo que uma estação de rádio como a Ceará Rádio Clube tinha 105 funcionários, só de orquestra tinha 55 pessoas contratadas para tocar. Nós tínhamos uma orquestra de concerto, uma orquestra de jazz e uma regional, que era um conjunto musical de pau e corda, quer dizer, violão, cavaquinho, tamborim, pandeiro e essas coisas todas. Tínhamos também o primeiro e o segundo violino. Eu entrei em 1944, e encontrei 105 pessoas trabalhando numa rádio cearense.
JP – O rádio era o grande veículo que pautava a vida das pessoas?
EC – Claro. Eu hoje seria como um grande artista nacional, que todo mundo tinha interesse de me ouvir e me conhecia. Eu saía na rua e todo mundo me conhecia. A comunicação era pelo rádio, era o que se ouvia. Então eram idolatrados os locutores, os cantores, o Jathaí que cantava, a Laura Solis que interpretava novelas da televisão, eu mesmo, o Paulo Cabral. O Paulo Cabral teve tanta importância, que só com a voz foi para a eleição e ganhou. Nós éramos realmente os ícones da comunicação daquela época.
JP – E como o senhor vê essa geração hoje?
EC – Hoje o rádio nós não podemos nem comparar. Nem comparar a televisão do tempo, por exemplo, dos anos 60 com a televisão de hoje. Isso pode ser até um paradoxo. Mas acontece que a televisão que nós fizemos aqui como pioneiros [a extinta TV Ceará, Canal 2, dos Diários Associados] era uma televisão completa. Uma televisão que tinha estúdios, que montava espetáculos e naquele tempo não tinha vídeo tape, era ao vivo. Hoje nós estamos altamente aperfeiçoados tecnicamente, mas artisticamente nós estamos muito distantes do que foi feito no Ceará em 1961.
JP – O Chateaubriand foi um dos mais importantes brasileiros do século XX?
EC – Eu tenho a impressão de que um dos maiores nomes foi o Chateaubriand. O Chateaubriand é um gênio, um homem simples. Do modo que ele fez amizade comigo ele fazia com outras pessoas com muita simplicidade. Um homem muito sensível, e eu sabia que ele gostava de agricultura, e eu sempre fui envolvido e entendo um pouco de agricultura, e conversava os problemas com ele, de curva de nível, erosão. Eu falava com certa inteligência de problemas que ele entendia e sabia que eu entendia alguma coisa. Basta dizer, e estou falando isso só como um detalhe, que quando eu tinha sido escolhido por ele como um dos condôminos, um dos donos dos associados, ele mandava me chamar em São Paulo e eu ia a São Paulo para sairmos e ele me mostrar as fazendas que ele tinha. Isso mostra que ele, um homem importante, um homem rico, não precisava perder tempo comigo.
JP – O senhor teve, pela força do rádio, da comunicação, uma inserção na vida política do Ceará...
EC – Em função da Revolução de 1964, que hoje já caiu do patamar de revolução e hoje é golpe de estado – então não vamos discutir se eu tenho razão ou se eu não tenho razão. As pessoas também não sabem porque é que eu participei do movimento. E eu sempre digo, cada um sofre na pele as circunstâncias, os episódios daquela hora. Aquela hora era muito amarga para nós, porque nós tínhamos o Correio do Ceará, que funcionava lá na Senador Pompeu. A Senador Pompeu era a rua por onde desfilavam todas as passeatas. Na época de João Goulart então, nós éramos ameaçados, um sofrimento muito grande e aquelas passeatas jogavam pedras no jornal.
JP – Como era o seu posicionamento então?
EC – Eu só podia tomar uma atitude de defesa contra esse estado de coisas. Eu não tinha outra saída, se a revolução depois de feita, de eclodida, ela não teve o seu desenvolvimento certo, é outra coisa. Mas quando eu me engajei era um movimento de falação. Ou eu me engajava numa coisa só para me defender, defender o patrimônio, ou então eu ficava calado. Então essa é a minha razão de participar, em primeiro lugar. Em segundo, os militares daquela época, como o Torres de Melo que está vivo ainda o general, que não era general, era tenente. Ele me procurava muito porque ele já conspirava contra o governo e vinha me trazer as informações, me pedir que eu acolhesse notícias, e eu passei então a servir ao exército, ao exército que não estava satisfeito. E nisso aí eu fui me entrosando, participando de tal maneira que quando veio a revolução, prenderam uns parentes meus, o Joaquim Eduardo de Alencar, que era um cientista. E nessa época eu estava por cima porque, e queriam até que eu fosse participar, fosse para o quartel. E eu disse que não, tinha nada haver com isso. ‘Eu ajudo, mas minha trincheira é normal, é falar e escrever.’ E fiquei com muito prestígio efetivamente. Eu não posso esconder isso. Daí eu posso até lhes dizer o seguinte: eu tinha tanto prestígio que determinadas solenidades só começavam quando eu chegava. Se eu me atrasasse muito, o negócio tinha que atrasar mesmo. Não que eu exigisse isso, era mais por atenção, muita culpa no cartório também, queriam me agradar e tal. Essas coisas que nós sabemos, essas sutilezas de político.
JP – O senhor quase foi governador?
EC – E fui até nesse tempo cogitado para o governo do estado, mas o próprio Marechal Castelo Branco recusou meu nome, porque eu já tinha muito poder e que seria mais perigoso dar mais poder a uma pessoa como eu, que já comandava estação de televisão, estação de rádio, dois jornais, essa coisa toda era muito poder. Então, quando veio o AI-5, eu vi que, dentro dos meus princípios democráticos, não dava mais. Então eu saí, achei que a minha cota de sacrifício e de participação já tinha dado. Não rompi com o regime, mas me excluí, não participei mais. Minha passagem foi tão relevante, que o próprio exército fez uma edição, acho que são 18 livros, contando todo o histórico e tem a parte do Ceará, e eu fui um dos entrevistados, eu dei uma entrevista de seis horas para a biblioteca do exército. Tem lá, tudo gravado. E eu contei exatamente esses fatos, contei isso, a verdade, o meu depoimento para eles foi tanto quanto possível honesto e criterioso, eu disse o que fiz e a hora que deixei de fazer.
JP – E a Academia Cearense de Letras?
EC – Na Academia Cearense de Letras, eu entrei na academia, sucedi na presidência (fui eleito a presidente), o Antônio Martins Filho. A Academia funcionava por empréstimo na casa Tomás Pompeu que fica na rua 24 de Maio. E era uma casa normal, comum, da sociedade do começo do século passado. E na frente já havia uma poluição muito grande, vendedores de laranja, de goiaba, de macaúba, já era o prelúdio do aparecimento do Beco da Poeira. Então nós estávamos em reunião e transformávamos a sala principal na sala da academia. Não tinha ar condicionado, então para funcionar tinha que abrir a janela, mas não podia abrir a janela por conta do barulho da feira.
JP – Daí o senhor construiu a sede da entidade?
EC – Naquela hora tive a idéia de construir uma sede para a academia. Estavam começando a fazer os grandes espigões, os edifícios altos, e no edifício Progresso comprei oito salas, coloquei até dinheiro meu nessa coisa toda. Fechamos as salas com um corredor, unificando tudo, e fizemos. As cadeiras de hoje ainda são as cadeiras da academia que foram doadas por nós, a mesa de trabalho ainda é a mesma, muitas coisas herdadas do tempo dos Associados. As cadeiras ainda são as da Ceará Rádio Clube, que tinha um auditório formidável que funcionava onde é hoje o Tribunal de Contas do Estado, no Edifício Pajeú.
JP – Como o senhor vê a atual administração de Pacatuba?
EC – Eu acho que Pacatuba tem um comportamento que me agrada muito. É o comportamento de valorização da educação. Eu acho que o prefeito, sem querer elogiar o prefeito, mas apenas sendo verdadeiro na minha observação, tem dado uma ênfase muito especial na educação. É uma cidade limpa, se mantém dentro do padrões em que qualquer pessoa pode chegar e visitar, com piso, calçamento, as repartições são bem reformadas, eu tenho impressão que nós estamos caminhando muito bem. Essa parte de urbanismo é muito boa. Eu só lamento profundamente esta distorção, e a prefeitura não tem culpa disso, de transformarem a Bica do André, em Bica das Andréas. Não tem nada a ver uma coisa com a outra.
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